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08 novembre Palestra AnimaCidadePalestra Animação: panorama contemporãneo
Local: Teatro da UniverCidade, Av. Epitácio Pessoa, 1.664, Ipanema (Lagoa)
Dia 7/11, das 19h30 às 22h
O evento (um ciclo de palestras e cursos) da Univercidade foi realizado pelos cursos de Comunicação Social e Escola de Comunicação de Artes de Univercidade e vem antecipando o curso de extensão em Animação da entidade, em 2007. Daniel Pina, Coordenador da Produtora Modelo da UniverCidade (que possui curso um de Cinema) foi o mediador do evento e fez um quase exaustivo painel da animação no Brasil (curiosidades e estatísticas como o primeiro filme animado do Brasil, do cartunitsta Seth, em 1910; e o fato de que em 2000 foram produzidos mais filmes de animação do que em toda a década anterior foram mencionados).
A primeira palestra, "Narrativa e animação: a representação da morte em filmes animados" de Nilton Gamba Jr. (Professor da PUC-Rio) foi uma conseqüência dos seus estudos de mestrado e doutorado sobre estruturas das formas de narrativa, onde Gamba percebeu que diversos estudiosos do assunto sempre se referiam a morte como uma figura de retórica recorrente. Gamba foi um pioneiro da animação digital no Brasil (foi o primeiro a distribuir animações em BBS) e um dos primeiros a produzir animação para CD-ROM.
Gamba traçou um painel muito rico e amplo onde discorreu sobre questões da morte na sociedade atual (onde ela é algo banalizado e distanciado de nós via estatísticas, indústria de entretenimento e noticiário) na medida em que nos desenhos animados os personagens desafiam a morte ao infinito (o Papa-Léguas ou o Coyote, para não citar Tom e Jerry) e ninguém mais se comove ao saber que milhares de pessoas morrem todos os dias no oriente médio.
Gamba citou ainda techos de obras de Freud, Morand, Nikolai Nispov e Walter Benjamim, sendo este último um precursor do áudio-visual já na década de 30/40, além de autor fundamental para quem estuda hipermídia/hipertexto pois em sua obra fala sobre o conceito de fragmentação em nossa sociedade.
Ao citar o teatro grego onde a ritualização da morte na alegria do sacrifício dos animais é substituída pelo drama ritualizando a angústia,
Gamba discorre profundamente sobre questões de comunicação, filosofia e semiótica.
O mediador, Daniel Pina, animador e pesquisador de animação no Brasil resumiu a intenção da palestra de Gamba de forma elegante ao lembrar que a animação trata de dar vida a algo, enquanto que a palestra mostrava como ela representava a morte (um contraponto). Os filmes exibidos que ilustraram o pensamento de Gamba foram trechos de Bambi, Rei Leão, AmericanPop (um clássico de Ralph Barski), OperaVox, Carmen de Bizet, Noiva Cadáver, entre outros.
A segunda palestra, da dupla de irmãos Renato Vilarouca e Rico Vilarouca (Diretores de Cenografia) discorreram sobre Cenários Virtuais em Animação para Peças Teatrais. Foi uma palestra bem diferente da anterior, mas muito interessante ao mostrar como designers e comunicadores visuais/sociais podem fazer animação para resolver questões de cenografia.
Os irmãos começaram a trabalhar meio por acaso quando ainda faziam faculdade na UFRJ, na Praia Vermelha (Urca, RJ). Como um trabalho leva a outro (e o resultado sempre tem sido, além de convincente, interessante) os irmãos já chegaram a "interferir cenograficamente" em peças como "Tistu, o meninodo dedo verde", que é até hoje um sucesso retumbante (ficou 3 anos em cartaz, virou franquia e está sendo encenada até em Portugal).
O trabalho dos irmãos é interessante pois, com recursos de animação eles resolvem questões de cenário (barateando custos) além de criar um espaço cênico novo. Se por um lado a projeção age como decoração do espaço, ela também ajuda a contar a história por uma perspectiva nova. Questões técnicas colocadas mostram que esse trabalho tem muito de "ready-made" ou "faça-você-mesmo" uma vez que há poucos diretores ou cenógrafos que entendem de questões de iluminação aplicada a projeção.
Como foi colocado, animação para cenografia é um campo novo, virou moda (considerado chique, até) e que se viabiliza pois o custo dos equipamentos está se barateando cada vez mais, além da diversidade de equipamentos que surgem a cada dia (como qualquer produto ligado a informática). Quem se interessar, é um campo de atuação muito crtiativo para o designer/animador com portas abertas no Brasil.
Vários cases foram citados como o MovieLight, um equipamento inicialmente projetado para iluminar (com um braço móvel articulado por controle remoto), e que hoje em dia permite fazer projeçoes diferenciadas.
Outro case foi o último FreeJazz (eu citaria a tour Voodoo Lounge dos Rolling Stones, aqui no Brasil, no segundo Rock In Rio) onde há animação sincronizada com o show (no caso dos Stones, animação e efeitos sincronizada com a projeção, semelhante a um VideoClip ao vivo).
Um caso engraçado é o fato de que a sincronização de projeção com atuação é fácil para os atores pois estes são profissionais formados para essa necessidade, mas ás vezes geram situações cômicas como nos "ensaios filmados": os atores prestam mais atenção a projeção do que na representação (o que leva aos irmãos a ter de fazer uma "sessão de projeção" para conseguir fazer a filmagem, depois).
Soluções interessantes como representar a fábula da lebre e do coelho com duas projeções (uma em alta velocidade, outra lenta, lado a lado), usando 3D, filmagem, animação convencional, edição de imagem estática e vídeo, além de trucagens (rotacionar a projeção em cena para dar efeito de profundiade, como no caso da peça Tistu, na cena do "menino com o dedo no buraco da represa", para mostrar o topo e a base da represa) timing (sincronizando ações com atores montando em "cavalos projetados" ou saltando pedras num rio animado) estão entre outros artifícios técnicos.
O uso de animação em cenografia conquista inclusive gerações distintas; na recente peça sobre o ator/compositor Mário Lago foi argumentado que o público "ia ter enjôos ao ver imagens sendo projetadas sem sincronia ou equilíbrio, como no filme "A bruxa de Blair I"). No final o público elogiou o trabalho como "muito criativo" e "inovador". O contato da dupla é: ricovilarouca@superig.com.br, renatovila@superig.com.br. o site, tão bem-humorado quanto a dupla, também permite contato.
Um ponto fraco da palestra foi a operação de DVD/video, mas no geral foi uma palestra interessante por discutir e mostrar a animação sob um pontos de vista pouco convencionais.
Há fotos no site da UniverCidade; não as posto aqui por questões de direito autoral, mas o endereço vale uma visita para ter mais informações sobre o evento. Commenti (2)Per aggiungere un commento, accedi con il tuo Windows Live ID (se utilizzi Hotmail, Messenger o Xbox LIVE possiedi già un Windows Live ID). Accedi Non hai ancora un Windows Live ID? Registrati
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